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  • Mariuccia Ancona Lopez

Finalmente, a Aurora Boreal





Há males que vem para o bem, não é? Estava na Suécia, neste outubro de 2020, em plena pandemia e, pelo fechamento das fronteiras de muitos países da Europa, o único território a ser explorado era o da própria Suécia. Assim, o acaso acabou me levando a escolher Kiruna, a cidade mais ao norte do país como destino. Por que?




Situada dentro do Círculo Polar Ártico, na Lapônia sueca, esta cidade é um dos melhores locais para se avistar a Aurora Boreal ou as Luzes do Norte, como queiram, resultado do impacto dos ventos solares com o campo magnético do planeta, visível somente nos meses frios, em poucos países do mundo, próximos ao Polo Norte.


Depois de 24 horas de viagem em trem bastante confortável, com cabine e banheiro privativo, café da manhã incluído, chegamos ao extremo norte do país.


Do outono, de Malmö, nosso ponto de partida, chegamos subitamente ao inverno, com muita neve e casas pintadas de vermelho que pareciam casinhas de gengibre, verdadeiro cenário de cartão de natal.



Kiruna proporciona muitas experiências mas, hoje, o assunto é a Aurora Boreal que, por sorte, se apresentou linda, numa noite de 15 graus negativos. Fui para lá sabendo que, embora nesta época do ano as luzes já possam ser vistas, nem sempre isso acontece porque, dependendo das condições atmosféricas, se estiver muito nublado ou se nevar, elas não são avistadas.


A expedição para ver as luzes vai das 20 hs às 24 hs e o guia, que é também fotógrafo, prepara os turistas explicando o funcionamento da câmera que ele empresta (a gente só tem que comprar o cartão de memória) assim como sobre-calças térmicas e botas especiais. Devidamente munida desses apetrechos segui na aventura. Depois de dirigir cerca de meia hora finalmente ele encontra um local propício, com a necessária escuridão e, feliz da vida, anuncia os 15 graus negativos e um firmamento limpo.

Descendo do carro os pés afundam na neve fofa e alta mas a visão dos primeiros arcos coloridos no céu compensam qualquer extravagância para a turista passada dos 70 anos.




Aos poucos me acostumo com a escuridão e começo a me encantar com o fenômeno que povoou meus sonhos desde a infância. Misterioso e grandioso. Um encontro com a imensidão da Natureza. E uma enorme gratidão por estar alí.


Mais do que mostrar essas imagens quero registrar a todos, como eu, com mais de 70, que a aventura é sempre possível. E quando houver a oportunidade de realizar um velho sonho, não deixe escapar!

© 2019. Mariuccia Ancona Lopez. Proibida a reprodução sem autorização da autora

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